Jaqueline Cruz Silva, a Jackie do vôlei
Você conhece a Jackie do vôlei? Se viveu nos anos 80 e gosta de voleibol, provavelmente sim! Afinal, ela foi um dos ícones daquela geração que desbravou caminhos e iniciou a trajetória vencedora do vôlei brasileiro.
Em semana de Jogos Olímpicos, com nossa seleção de voleibol feminina em excelente campanha, e com mulheres brasileiras conquistando medalhas importantes (como Rebeca Andrade da ginástica artística, Beatriz Souza e Larissa Pimenta do judô, Rayssa Leal do skate, Bia Ferreira do boxe, Tatiana Weston Webb do surfe e a seleção feminina de futebol), escolher homenagear uma atleta pioneira foi uma decisão natural.
O começo
Nascida no Rio de Janeiro, no início de 1962, começou a jogar vôlei no Flamengo ainda menina e logo demonstrou enorme talento. Aos 14 anos já estava convocada para a seleção feminina principal, atuando na posição de levantadora.
Nos Jogos Pan-Americanos de 1979, em Porto Rico, foi medalha de bronze com a seleção feminina. Ao final do ano, foi eleita a melhor jogadora do torneio Pré-Olímpico de vôlei.
Moscou 80 e Los Angeles 84
Jackie disputou 2 Olimpíadas como jogadora de voleibol de quadra: Moscou em 1980 e Los Angeles em 1984. Na época, nossa seleção não era forte como atualmente, o que significa dizer que as chances de medalha eram pequenas.
Ainda assim, a campanha em Los Angeles foi histórica e o Brasil, liderado por Jackie, fez excelentes jogos, incluindo um confronto disputadíssimo com a seleção dos EUA. Nessa partida, nossa seleção foi derrotada por 3 sets a 2 após ganhar os dois sets iniciais – uma virada extremamente dolorida e que nos afastou da disputa pelas medalhas. Existem muitas fotos na Internet mostrando as jogadoras brasileiras chorando ao final do jogo.
Como consequência de suas atuações, Jackie foi considerada a melhor levantadora daquela edição dos Jogos Olímpicos e se tornou respeitada no mundo do voleibol.
Polêmica e novos rumos
Inteligente, posicionada e com personalidade forte, Jackie considerou injusto que os ganhos financeiros da Confederação Brasileira de Voleibol via patrocínios nas camisas das jogadoras não fossem compartilhados com as mesmas.
Foi suspensa e afastada da seleção por isso, mas seguiu jogando em seu clube. Em 1987, escolheu um novo rumo e foi atuar na Itália pela equipe da região de Modena, recebendo o prêmio de melhor jogadora estrangeira da temporada.
Vôlei de praia
Na época, Jackie estava envolvida na criação da primeira associação de vôlei de praia feminino nos Estados unidos, a WPVA. Como consequência, decidiu mudar-se para os EUA para jogar voleibol de praia.
Vencendo uma série de torneios nos anos seguintes, recebeu dos fãs do esporte norte-americanos o apelido de “Rainha da Praia”. Nada mais justo, considerando que entre 1990 e 1993 ela liderou o ranking de voleibol de praia dos EUA.
Parceria com Sandra Pires
Em 1995, com uma carreira vencedora e já sendo vista como veterana, Jackie disputou o circuito Banco do Brasil de vôlei de praia, o equivalente ao campeonato brasileiro da modalidade na época, com uma jogadora novata de enorme talento, Sandra Pires.
Ambas queriam uma das vagas para representarem o Brasil no voleibol de praia nas Olimpíadas de Atlanta, EUA, em 1996, na qual a modalidade estrearia. Com vitória em 12 etapas do Circuito, conquistaram uma das vagas e seguiram para os Jogos Olímpicos com considerável favoritismo.
Ouro olímpico
A campanha em Atlanta 1996 foi impecável, com vitórias em todos os jogos disputados. A final foi contra a outra dupla brasileira, formada pelas jogadoras Adriana Samuel e Mônica Rodrigues.
O placar de 2 sets a zero coroou uma campanha exemplar e trouxe a sonhada medalha olímpica à Jackie. Se em 1984, 12 anos antes, no voleibol de quadra dos Jogos de Los Angeles, as chances de medalha fugiram com a derrota para a seleção dos EUA, dessa vez a medalha era sua!
Aquela final marcou história por ser a 1ª final olímpica da modalidade e por colocar apenas atletas brasileiras em quadra: o Brasil faturou ouro e prata nos Jogos de 1996.
Final de carreira e dias atuais
Ao se aposentar das quadras, Jackie passou a atuar como técnica de voleibol e também desenvolvendo atividades ligadas ao esporte, como palestras, clínicas e projetos em comunidades de baixa renda.
Em 2006 foi incluída no Hall da Fama do Voleibol nos EUA, uma honraria que somente as mais importantes personalidades do esporte recebem. Seu legado é uma realidade que muito honra as mulheres atletas brasileiras, assim como qualquer fã do esporte que tenha acompanhado sua carreira.

Ver a trajetória da Jaqueline com tanta garra é inspirador.
Sim, Angelica! Abraço
Uma verdadeira desbravadora em sua área e inspirando outras. Obrigada por partilhar.
Sim, com certeza!!