Eneagrama, uma ferramenta e um sistema de autoconhecimento
No 1º texto sobre ferramentas, quero abordar o Eneagrama. Eu o entendo como uma ferramenta e um sistema de autoconhecimento extremamente bem elaborado.
Embora ainda pouco conhecido no Brasil, o Eneagrama oferece muitas contribuições para programas e processos de desenvolvimento pessoal e profissional, tanto em sua versão ferramental (questionário e tabulação), quanto como uma referência conceitual na área do autoconhecimento.
Eu o aplico em meus programas de mentoria de negócios visando o desenvolvimento de habilidades de liderança e comunicação. Afinal, ao identificar seus pontos fortes e pontos a melhorar nesses dois quesitos, o mentorado consegue ver claramente os próximos passos em seu processo de desenvolvimento das habilidades citadas.
Em outras palavras, o Eneagrama mostra como a personalidade explica o modo de pensar e de agir da pessoa, descortina onde estão os acertos e os erros nas habilidades de liderar e comunicar-se, e generosamente indica o caminho para superá-los.
Como surgiu:
A palavra Eneagrama tem origem no grego ennea (que significa o número nove) e grammos (figura ou desenho). Trata-se, assim sendo, da representação de uma figura com 9 pontas nas quais estão representados os nove tipos de personalidade e suas inter-relações.
A história do Eneagrama tem início nos estudos de um armênio de família grega chamado Georges Ivanovich Gurdjieff (1872-1949). Ele pode viajar por diversos países para estudar suas respectivas tradições, incluindo Egito, Tibete, Índia, partes do Oriente Médio e Turquia.
Os conhecimentos que agregou, de culturas cristãs, budistas, muçulmanas e judaicas, constituem um verdadeiro mosaico da cultura da humanidade. O mundo ocidental teve contato com o Eneagrama a partir das décadas iniciais do século XX, quando Gurdjieff esteve na Rússia, na Inglaterra e na França. Anos depois, ele ainda viajou aos EUA.
Durante o século XX, outros pesquisadores seguiram seus passos e o Eneagrama se consolidou mundialmente. Entre os nomes mais respeitados, destaco os americanos Don Richard Riso e Russ Hudson (cujo livro “A sabedoria do Eneagrama” está publicado em português) que com suas pesquisas e trabalhos ampliaram a compreensão e aplicação do Eneagrama.
No texto atual, farei uma introdução aos noves tipos. Aos poucos, publicarei um texto específico para cada um deles, o que permitirá um amplo entendimento da ferramenta e de suas contribuições a quem a utiliza.
Tipo 1
É idealista, seguidor de princípios, ético, consciencioso. Tem muito claro o que é certo e o que é errado, mas teme o erro.
Batalha para melhorar as coisas, mas pode resvalar para a crítica e o perfeccionismo. O tipo 1 costuma ter problemas com a impaciência e a raiva reprimida. Em equilíbrio, é criterioso, ponderado, realista, nobre e moralmente exemplar.
Tipo 2
É compreensivo, focado no interpessoal. Amigável, generoso, sincero, empático, afetuoso.
Gosta de estar perto das pessoas e se tornar necessário, mas pode ser sentimentalista e adulador querendo agradar a qualquer custo.
O tipo 2 costuma ter problemas para cuidar de si mesmo e reconhecer suas próprias necessidades. Em equilíbrio, é altruísta, desprendido, ama a si mesmo e aos demais incondicionalmente.
Tipo 3
É adaptável, realizador, movido pelo sucesso. Seguro de si, atraente, encantador, competente.
Sempre pronto para agir, mas pode se deixar levar pelo status e pelo que os demais pensam a respeito dele.
O tipo 3 costuma ter problemas com a paixão excessiva pelo trabalho e pela competitividade. Em equilíbrio, é autêntico e um modelo que inspira todos ao redor.
Tipo 4
É romântico, introspectivo, honesto emocionalmente. Atento a si mesmo, sensível, calmo e reservado.
Não receia mostrar-se como é, mas pode apresentar-se desdenhoso e agir como se não estivesse sujeito às mesmas leis que os demais.
O tipo 4 costuma ter problemas com o comodismo e a autocomiseração. Em equilíbrio, é criativo, inspirado, capaz de renovar-se.
Tipo 5
É concentrado, investigador, cerebral. Alerta, perspicaz, curioso.
Consegue abstrair-se de tudo e se dedicar às suas ideias, mas pode mostrar-se distante e irritadiço.
O tipo 5 costuma ter problemas com o isolamento, a excentricidade e o niilismo. Em equilíbrio, é pioneiro, visionário, vê o mundo de uma forma completamente nova, adiante de seu tempo.
Tipo 6
É dedicado, valoriza a segurança. Responsável, digno de confiança, esforçado.
Tem postura cautelosa, mas pode mostrar-se reativo, desafiador e rebelde.
O tipo 6 costuma ter problemas com a insegurança e desconfiança. Em equilíbrio, é autoconfiante, defensor corajoso dos mais necessitados.
Tipo 7
É produtivo, sempre ocupado, entusiasta. Versátil, espontâneo, otimista, brincalhão.
Busca novas possibilidades, mas corre o risco de não terminar o que inicia, abandonando tarefas pela exaustão.
O tipo 7 costuma ter problemas com superficialidade e a impulsividade. Em equilíbrio, é capaz de concentrar-se nas metas e realizar.
Tipo 8
É forte, desafiador, dominador. Seguro de si, firme, assertivo, protetor.
Esforça-se para controlar o meio em que vive, mas pode se tornar intimidador e dominador.
O tipo 8 costuma ter problemas com o compartilhar da intimidade. Em equilíbrio, é mestre no autodomínio, realizando e impactando a vida de muitos.
Tipo 9
É pacifista, de fácil convívio, descomplicado. Receptivo, crédulo, constante.
Dedica-se a evitar mal-entendidos, mas pode ir longe demais em ceder para manter a paz.
O tipo 9 costuma ter problemas com a passividade e a teimosia. Em equilíbrio, é incansável na tentativa de resolver conflitos e aproximar pessoas.
As inter-relações:
A figura mostra a conexão entre os tipos, e tais conexões são essenciais para compreender como os tipos se relacionam e se equilibram. Sobre isso, desenvolverei um texto adequado, pois aqui ficaria muito longo.
Por enquanto, sugiro que você observe o descritivo geral dos 9 tipos e busque identificar possíveis tipos para sua personalidade. Contudo, tenha em mente que um veredicto seguro pode ser obtido após responder o questionário e tabular os resultados. A fonte do questionário que aplico é o já citado livro “A sabedoria do Eneagrama”.
Considere, ainda, que todos manifestamos os 9 tipos, mas temos um deles como nossa personalidade. Nós não somos o tipo, nós nos comportamos como ele. Há uma considerável diferença entre as duas coisas. Um tipo isolado é apenas uma “máscara” que assumimos na infância, por quaisquer motivos que sejam, e seguimos com ela por toda a vida (não por coincidência, persona significa máscara em grego).
Quando a pessoa compreende o Eneagrama e seu tipo predominante, entende que sua essência é maior que cada um dos tipos separadamente, ou seja, é muito mais abrangente e importante que a máscara utilizada (mas a explicação disso virá quando eu escrever sobre as inter-relações dos tipos).
Se você ficou curiosa(o), entre em contato e falamos a respeito. Você pode me enviar um e-mail (consulte a página Contatos clicando aqui), ou comentando abaixo. Será um prazer conversar contigo a respeito do Eneagrama! Até os próximos textos.

3 Comentários